segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Altered Carbon é simples e funcional, nada mais, nada menos.

Desde que o trailer da nova série da Netflix, Altered Carbon, saiu eu me interessei pelo enredo e aguardei o lançamento, mas e agora que ela saiu e eu vi todos os episódios? Será que gostei? Vamos saber mais neste post.

Altered Cabon é baseado em um livro do mesmo nome, ainda não li o livro, mas ele está na minha lista pra leituras futuras. A ideia da série é que no futuro as pessoas se tornaram capazes de transferir suas mentes, vidas, memórias, almas para outros corpos e dessa forma... Os seres humanos se tornaram imortais. Os mais ricos podem criar clones dos seus corpos originais e continuarem com a mesma aparência para sempre enquanto os mais pobres se quiserem voltar precisam aceitar o que quer que o governo lhes dê. 


A ideia da série é interessante e te faz criar várias teorias diferentes sobre um futuro onde isso de fato poderia ser real. É uma boa ideia e a série de fato trás alguns assuntos bem polêmicos e complicados como o poder dos ricos e o quanto os mais pobres sofrem com a falta de direitos com seus próprios corpos e suas próprias vontades. Por exemplo, em uma cena do primeiro episódio nós vemos que o governo colocou uma garotinha de sete anos que tinha sido assassinada no corpo de uma mulher adulta além dos quarenta anos e embora os pais da garota fiquem chocados e digam que eles tinham direto a um corpo apropriado para a criança deles, uma moça que trabalha naquele departamento diz que aquele era o corpo que eles poderiam conseguir gratuitamente e que se quisessem outro melhor eles teriam que pagar, esse já foi um choque surreal e estabeleceu muito bem o jogo de poder que essas pessoas ricas vivem em contra os menos afortunados.


Mas, o enredo em si não consegue dizer tudo isso num todo. A série passa muito tempo tentando ser inovadora, mas acaba pegando apenas coisas que já existem e colocando outras coisas por cima disso, dessa forma essa conversa toda épica sobre esse jogo de poder e os direitos que as pessoas tem quanto a sua imortalidade não fica muito interessante. 
Agora, se não contarmos isso como uma obra épica, a série na verdade é muito interessante e tem um jeito de contar seu enredo sensacional. A conversa sobre como a religião afetaria essa questão de troca de corpos também foi muito interessante, mas a série ainda continua sendo algo interessante, mas não com um conteúdo muito grande. É algo básico que funciona sim, mas não é algo gigante e significativo por mais que a série tenha tentado ser assim. No entanto não tiro seu mérito de ser uma boa série por que gostei muito de fazer a maratona e me diverti com os personagens e suas morais tortas.
Martha Higareda fez parte do enredo religioso como Kristin Ortega e sua atuação foi muito boa, mas a personagem em si não ajudou muito. Pra mim ela não foi uma personagem muito carismática, mas isso foi culpa do roteiro e não da atriz.


Outra coisa muito boa é que com a ideia da troca de corpos a série tratou diversidade com uma naturalidade muito grande e eu amo quando isso acontece. 
Os personagens estão interessantes e brincar com a ideia de que gostar de alguém é por sua alma e não sua aparência é incrível e faz com que sempre possamos ter o mesmo personagem com rostos diferentes. Isso me lembra o que acontece com o Doctor em Doctor Who, várias faces, o mesmo personagem e nós continuamos gostando dele do mesmo jeito.
Isso também torna a carga emocional do personagem mais difícil para os atores, mas todos que fizeram a série foram muito bem. 


Existem três atores que interpretam o protagonista Takeshi Kovacs: Byron Mann que aparece primeiro e então Joel Kinnaman e Will Yun Lee como os corpos principais que o personagem usa, sendo Will Yun Lee o corpo em que o personagem nasceu originalmente em.
O personagem é bastante carismático com todas as suas pertubações em todas as suas formas, porém, se formos realmente parar para pensar no assunto ele não parece ser o mesmo personagem com a mudança de atores. A atuação de Joel e de Will foram para lados bem diferentes e Byron não teve muito tempo em tela para que as comparações pudessem ser feitas. 
Isso não foi um problema na maior parte do tempo pela forma como a série escolheu contar a jornada de seus personagens, mas no final do dia todos eles deveriam ser Kovacs e essa diferença é bem aparente. Todos fizeram um trabalho incrível, mas todos o fizeram de um jeito bem diferente. Em Doctor Who existe a explicação de que o Doctor muda de corpo e sua personalidade também é afetada com isso, mas em Altered Carbon a personalidade só é afetada se você usa corpos demais muitas vezes seguidas pois isso pode acabar te deixando louco e essa explicação acontece muito brevemente com a menção de um vilão menor da temporada que acaba morrendo facilmente logo depois que aparece. Este vilão também é interpretado por dois atores diferentes diretamente e mais para frente por um terceiro também e os três fizeram um trabalho incrível com o tempo que tiveram em tela.


Todos os atores fizeram um trabalho incrível e estão muito convincentes em seus papéis, mas algumas inconstâncias aqui e ali deixam a desejar. 
Em todo Altered Carbon é uma série interessante e extremamente bonita visualmente falando, mas embora a ideia seja trazer uma novidade muito grande... Ela falha nisso e apenas começa assuntos como no programa da Fátima Bernardes, e assim como no programa dela não termina nenhum dos assuntos que começou.
O personagem de James Purefoy foi muito bem interpretado pelo ator, mas ele sendo um dos personagens mais importantes e poderosos da série... Deixou a desejar com o tempo que tinha em tela pois o roteiro não mostrou alguém poderoso e horrível dono de um império e sim alguém infantil e mimado que gostava de causar bagunça. Kristin Lehman como a esposa dele, Miriam Bancroft, também foi convincente e a química dos atores em cena foi muito boa. Realmente o relacionamento deles foi algo bem diferente e era interessante ver que existia amor, mas que o jeito deles de amar era bem diferente do comum e ás vezes até mesmo muito perturbado. Nessa parte o roteiro foi muito bom.
E um ponto extra para a série por tratar nudez masculina e feminina do mesmo jeito, Netflix nunca decepciona nessa parte. 


Os personagens que mais evoluíram e foram interessantes de acompanhar foram Poe e a família Elliot. Chris Conner como Poe, o androide da série, foi um dos meus favoritos desde a primeira vez que apareceu, e então vem a família Elliot logo a seguir. Todo o enredo dos Elliot foi muito interessante e eles moveram mais as coisas do que o próprio Kovacs ás vezes. 
Oh, e claro, uma menção honrosa a mochila cor-de-rosa de unicórnio do Kovacs que se tornou uma personagem especial haha
Dichen Lachman fez um show como Reileen, mas algumas falhas no roteiro fizeram com que sua personagem não fosse assim tão bem feita. O mesmo aconteceu com Kovacs, mas isso pode ser retratado em uma possível segunda temporada acredito eu.
As reviravoltas da série foram boas, e surpreenderam de fato, mas ainda assim a série não deve ganhar um termo épico pois por mais sensacional que a ideia seja, a execução foi simples. Simples e funcional, mas não mais que isso. 
Aliás, a abertura da série é muito linda, ficou maravilhosa demais!


Altered Carbon é uma boa série, mas não trás nada de realmente novo ou profundo. As cenas de ação são muito boas, o elenco diverso é uma jogada de mestre e o visual é lindo. Com toda certeza vou assistir uma segunda temporada se ela acontecer, mas não é nada demais. 
Muitas cenas foram bem feitas e não vou esquecê-las, mas no final do dia o enredo é apenas algo simples que vale a pena maratonar, mas não vai muito além disso.
Mesmo com o enredo que ás vezes pode parecer complicado pois tem muitas informações, a série continua sendo um projeto relativamente simples na forma em que foi fechada como. 
Acredito que com a premissa de troca de corpos sempre viva nessa série é possível que toda nova temporada siga um caminho bem diferente da anterior e isso pode ser muito interessante de acompanhar. Vale a pena assistir sim e foi um bom investimento da Netflix sim, mas definitivamente não é o Game of Thrones da Netflix como vários sites estavam tentando vender como antes da série sair.



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