segunda-feira, 20 de julho de 2015

Os clichês que vemos em livros e a reação da sociedade.

Estava navegando no facebook como faço ás vezes e me deparei com uma conversa sobre livros eróticos e romances e como vários deles tem frases horríveis. A imagem usada para início dessa conversa tinha a frase dita pelo personagem masculino principal assim: Se não fosse igual as putas que eu fodo, não teria aberto sua doce boceta para mim.
E vamos combinar que essa frase é bem horrível. Como autora e leitora tenho conhecimento de uma coisa; o que faz sucesso é o clichê podrinho. 
Em que mundo esse tipo de conversa existiria? Ele poderia dizer sim isso de forma chula e com palavrões, mas esse doce tá meio zoado, e sabe a pior parte? Que ele não é um personagem feito para ser babaca mesmo, não, no final eles provavelmente vão se casar, ter filhos e viver além do arco-íris porque supostamente o cara fodedor que acha que é o dono do mundo e tem o maior pênis do mundo e o melhor mudaria por causa de uma sem sal que não se acha bonita, que é virgem, mas que na primeira noite que transa com ele já sabe as mil e uma posições do Kama Sutra.
Sobre o que esse post é exatamente? As coisas que fazem sucesso por ai, mas que não tem um pingo de novidade.
A base é criar um personagem ruim, babaca com uma infância merda e então aparece essa pobre coitadinha com uma vida simples que conhece o milionário (Porque ele tem que ser milionário ou bandido. Um dos dois sempre.), ela não se acha bonita, mas tem cabelo loiro, olho azul e o corpo da Megan Fox, e ela adora falar mal sobre ela mesma e como ela não pode ser o suficiente para o cara. Sendo que ele é um sem noção que sempre trata ela mal, mas depois dá um presentinho que ela NECESSITA dizer que não pode aceitar porque é demais, mas ele dá um sorriso, ela se derrete e aceita.
Em algum momento ele tem que magoar ela, ela vai se sentir usada e chorar, chorar, chorar, dizer que nunca mais vai vê-lo, mas ele começa a sentir falta da sem sal e entra em desespero, a barba cresce, ele não toma mais banho ou come, não consegue foder outras mulheres e etc, então ele vai lá e faz algo romântico e blá, blá, blá ela aceita ele de volta como uma boa babaca, e ele vira outra pessoa. Ah, e o relacionamento deles só tem três meses.
Ah, e a melhor amiga dele vai namorar o irmão/melhor amigo dele. Não pode esquecer disso.
Aqui está a forma do sucesso nível um para idiotas.
E o pior disso? É que funciona. Porque as pessoas querem esse clichê, elas querem dois babacas se amando, elas querem acreditar que isso é possível e que esse babaca mudaria por alguém como a personagem principal que não tem atributo nenhum a vista dela, mas quando o conhece aparece um milhão de coisas que ela sabe fazer, mas depois que eles se casam ela vira dona de casa mãe das crianças e ela não fez nada além disso e dar pro marido perturbado mentalmente.
Seria melhor matar todo mundo com um apocalipse no final do que deixar essa bosta acontecer.
Pessoas falam palavrão, é um fato, e isso não tem problema. O problema é como isso foi encaixado no livro sendo que esse personagem deveria ser um cara interessante para os leitores se apaixonarem por ele. Eu não consigo me apaixonar por um personagem merda assim, e muito menos pela personagem principal que só tem caráter e amor próprio por duas frases no início do livro.
Não posso falar do livro que eles citaram naquele post, mas no todo dos que já li essa é minha opinião.
Ninguém muda o caráter e forma de agir dessa forma. E principalmente não pelos motivos que apresentam nesse tipo de livro.
Tem tantas formas de trabalhar com um personagem como esse, tantas formas de torna-lo interessante e não um babaca, mas não, escolhem essa forma. Isso sem falar que eu não suporto mais personagens chatas vegetarianas que tem vergonha de tudo e parecem que sofrem de um problema no cérebro que as impede de serem úteis. E o mais sofrido disso é que na maioria das vezes são mulheres quem escrevem essa estórias degradantes em que a mulher é submissa a um babaca que a única coisa boa que tem é a aparência e dinheiro, porque como pessoa ele é um merda que fala esse tipo de coisa.
A personagem principal não toma uma decisão forte, não se impõe nesse tipo de situação, não, ela vira a vida dela de ponta cabeça porque o homem dela se tornar o centro do universo. Ela não fala com os amigos, a faculdade que ela fazia no início virou pano de fundo porque a única coisa que vemos ela fazer é sexo com o personagem principal mal feito que adora falar "pau" "fodendo" "boceta gostosa" e várias coisas como "você é apertadinha" ou "molhadinha para mim". Ela não tem mais uma vida além daquele cara, e ele vive sendo um babaca com ela. Ou não gosta que ela o toque, ou não gosta que ela faça perguntas sobre sua vida, ou nunca a apresenta como namorada porque não quer se ligar com ela, mas se ela está conversando com outro sobre sei lá, frutas, ele já dá um ataque de ciúmes e isso sempre causa uma briga e um ataque de raiva do cara.
É um relacionamento ridículo que não funciona. Não faz sentido, mas estão todos deixando comentários para a autora porque tem sexo, e o mundo é movido a sexo, só que somos falsos moralistas então vamos falar para todos que sexo é errado, mas não tem problema abrir no navegador secreto da internet uns pornô doidão.
Vivemos por mentiras e elas se tornaram tão comuns que estão sendo usadas como verdades. As pessoas não tem problema em ler essas coisas porque a maioria delas é tão tediosa que elas queriam ser aqueles personagem e fazer parte daquilo. Ter horas de sexo, diversão ou algo assim e ter um homem como nos livros as amando por elas serem... Bem, tediosas.
E nesse meio tempo ninguém percebe que isso é meio degradante. E ridículo. Tudo bem que é só um livro, não quer dizer que tudo o que está lá é lei, mas quem apoia isso muitas vezes apoia a ideia do livro. Não é só um passatempo.
Quem não lembra da febre que foi Cinquenta Tons de Cinza? Muitas pessoas que conheço ficaram obcecados pelo livro e começaram a fazer as coisas ditas lá com seus maridos e namorados, mas o problema é que eles não tem noção do que Bondage significa. Isso não é algo que você faz com qualquer um ou pode causar morte.
Isso é algo que você faz com quem confia, e apenas se os dois lados estão interessados nisso, e de forma responsável.
As pessoas querem tanto parar de seguir as regras, quebrar os limites, que encontram nesses enredos podrinhos e clichês que não levam nada a sério uma forma de quebrar as regras.
Eu gosto de criar personagens malvados, mas se eles chegam a se apaixonar eu não os coloco como sensíveis fofinhos com infância de bosta, eu mantenho isso e a personagem pela qual eles se apaixonaram não é uma inocente fofinha que acha que pode consertar o cara, não, ela é foda. Ela luta pelas ideias dela, e amar o personagem principal não é a única coisa que ela faz no livro inteiro, ela lida com as coisas. E eles são parecidos porque no final os opostos NÃO se atraem. Pessoas muito diferentes nunca vão funcionar juntas.
Se você vai criar um personagem e depois fazer ele se apaixonar, então não faça essa bosta de mudar o caráter dele para se adaptar a vida do outro, ou para soar mais doce porque o amor muda tudo. Não, ninguém é capaz de mudar.
O personagem pode EVOLUIR, mas não mudar. Ele continua o mesmo, só que com mais sabedoria.
Se tu quer criar um romance bem feito, não faça isso. Mas tenha em mente de que você poderá nunca fazer sucesso porque as pessoas gostam do simples e fácil, da mesma coisa com poucas alterações, qualquer coisa que for meramente inteligente é ignorada completamente.
Me deixa triste saber que as pessoas tem preferência por mais do que mesmo do que por algo bem feito e interessante, mas a vida é assim, a sociedade é assim, não tenho super poderes para abrir os olhos das pessoas, e principalmente o fazer quando ninguém realmente quer abrir os olhos.
Já vi gente que por causa desses livrinhos de internet que não explicam porra nenhuma e só jogam a informação sem nenhuma responsabilidade falando que "amam incesto", gente, vocês não tem noção do que estão falando.
Eu aceito muita coisa nessa vida. De verdade. Já escrevi muita coisa também, mas escrever um livro com um casal de incesto e apoiar aquilo até o fim, e shipar aquilo, isso é algo que eu nunca vou ser capaz de lidar de um jeito agradável.
Já vi também muita gente comparando suas vidas sexuais a de livros, mas o engraçado é que fazem isso falando com as coleguinhas e reclamando de tudo, mas se estão em um relacionamento não tem coragem de conversar com o parceiro ou parceira sobre isso. Ao invés de melhorar a situação e conversar de verdade sobre o assunto, não, marcam sexo como um tabu, algo errado. Mas quando Cinquenta Tons de Cinza saiu de forma aberta, o que possibilitou que as pessoas tivessem acesso ao livro de qualquer forma, podiam ler no ônibus ou no metrô sem problema algum, sem ser julgados por o estarem fazendo, e se forem é só mentir e dizer qualquer adjetivo ruim sobre o livro.
Ninguém vai notar. Ninguém vai se importar. As pessoas preferem acreditar no mundo dessa forma. Preferem se encaixar ao invés de falar o que realmente pensam.
Eles gostam de mais do mesmo o tempo todo. E depois gostam de negar suas coisas favoritas porque alguém disse que aquilo era errado e todos deveriam dizer amém para isso.
Existem vários tipos de escritores que vou separar por vírgula: escritores, escritores ruins que escrevem esse tipo de romance bobinho com palavras chulas, pessoas que acham que são escritores, pessoas que escrevem por um significado, escritores de alma, e escritores que ficam no desespero mandando você curtir tudo o que é deles.
Mas já os leitores temos menos tipos. Os que só sabem falar mal, os que vão ler qualquer bosta e achar incrível, e os poucos que vão realmente ler uma obra com o coração e opinar com sinceridade.
Não posso e não quero que vocês mudam duas opiniões sobre qualquer coisa por causa do que escrevo no blog, quero que formem suas opiniões sozinhos, que busquem informação e saibam o que é bom e incrível para vocês, não quero que sejam robôs com a mesma opinião de todos. Mas isso é o que eu quero.
E o quê você quer? O quê quer ser?

3 comentários:

  1. Falou tudo! Concordo plenamente com vc, estou lendo after e ele se encaixa perfeitamente na descrição ("Ela não fala com os amigos, a faculdade que ela fazia no início virou pano de fundo porque a única coisa que vemos ela fazer é sexo com o personagem principal mal feito que adora falar "pau" "fodendo" "boceta gostosa" e várias coisas como "você é apertadinha" ou "molhadinha para mim".) E o cara é super escroto e que ta já mudando o caráter pq se apaixonou "você me faz um homem melhor" clichê e piegas.
    Uma coisa que percebo é que os livros dão um super sucesso, mas quando vai para os cinema é um fracasso. O livro after, da anna todd só deu sucesso por causa que o personagem principal é inspirado no cantor Herry Styles da banda onde direction. O personagem é um escrotao e so fala palavras chulas (trepar, comer..) eu particularmente nem olharia mais na cara dele.

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  2. Falou tudo! Concordo plenamente com vc, estou lendo after e ele se encaixa perfeitamente na descrição ("Ela não fala com os amigos, a faculdade que ela fazia no início virou pano de fundo porque a única coisa que vemos ela fazer é sexo com o personagem principal mal feito que adora falar "pau" "fodendo" "boceta gostosa" e várias coisas como "você é apertadinha" ou "molhadinha para mim".) E o cara é super escroto e que ta já mudando o caráter pq se apaixonou "você me faz um homem melhor" clichê e piegas.
    Uma coisa que percebo é que os livros dão um super sucesso, mas quando vai para os cinema é um fracasso. O livro after, da anna todd só deu sucesso por causa que o personagem principal é inspirado no cantor Herry Styles da banda onde direction. O personagem é um escrotao e so fala palavras chulas (trepar, comer..) eu particularmente nem olharia mais na cara dele.

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  3. Tenho 16 anos e sou, simplesmente, apaixonada por clichês. Ou era. Talvez. Acho que depois desse texto minhas ideias mudaram.
    Você diz no final que não quer que mudemos nossas opiniões, mas a minha mudou, e aí? Minhas opiniões são mudadas quando vejo que a opinião contrária está certa. E não sou orgulhosa para admitir isso.
    Você tem razão em tudo nesse texto, tudo é tão comum, e somos tão acostumados com a mesma história, que não vemos graça em achar algo diferente, ou talvez, nem damos a chance para algo diferente.
    Clichê está presente não só nas histórias como na sociedade. É possível notar isso. A Diferença incomoda as pessoas iguais, normais, de um único padrão. E é por isso que as histórias diferentes não fazem sucesso, por que a maioria das pessoas estão tão acostumados com o banal, que não procuram conhecer, ou dar uma chance, a algo diferente.
    Seria tão legal se todo mundo lesse esse texto.
    A partir de agora, darei chance a coisas novas! Irei procurar coisas novas, irei escrever e ler coisas novas. Por que os mesmo clichês, realmente, não tem nada de novidade.
    Obrigada pelo texto, mudou a maioria dos meus pensamentos. :)

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