sábado, 8 de dezembro de 2012

Uma fada metida a Papai Noel #Parte2

Para ler a introdução do conto clique aqui.
Para ler a primeira parte do conto clique aqui.

Segue a lista de quando as partes seguintes serão postadas:

Introdução: 21/NOVEMBRO
Parte 1: 29/NOVEMBRO
Parte 2: 06/DEZEMBRO
Próximo post do conto:
Parte 3: Final: 23/DEZEMBRO

(As datas podem ser mudadas. Para antes, ou depois das que já estão aqui.)

UMA FADA METIDA A PAPAI NOEL #PARTE2

 

A caixinha era toda feita de veludo, havia uma boneca fada lá dentro. Tinha asas iguais as minhas, cabelos iguais aos meus, até as roupas eram iguais as minhas.
Havia um botão em suas costas, se apertasse suas asas sumiam, bastava apertar novamente e elas voltavam.
- Você é mesmo o Papai Noel? – questionei mexendo no cabelo da boneca.
- Claro que sou! – ele sorria feito uma criança.
- Achei que não existisse.
- Podem existir fadas, monstros assassinos da floresta e até mesmo fadas terrenas, mas, eu, logo eu, não posso existir? – ele riu, mas, sua risada era estranha demais para ser descrita.
- Porque veio até mim? Não sou uma criança. Nem se quer acreditava no senhor.
- Senhor não. Você, ou Papai Noel. – dessa vez fui eu que ri, era engraçado estar sentado ao lado do Papai Noel em seu trenó guiado por renas – Venho aqui para te ajudar com sua escolha.
- Quero ficar em New York e ajudar as pessoas, mas, se ficar perderei minhas asas, e se ir embora... Nunca mais vou voltar.
- Sei disso minha pequena. Mas, o que sei coração diz?
- Ele me diz para ficar.
- Você tem um coração nobre. Sabe que pode ajudar muitas crianças ficando aqui, trabalhando com as fadas do Empire State, mas, se ficar, perderá um de seus bens mais preciosos. Suas lindas asas. Entendo sua parte minha querida. Apenas acredito que você precise ir atrás de seus sonhos.
- Acha que devo ficar? – disse mais baixo do que o esperado.
- Seu coração sabe a reposta.
E então me senti caindo, caindo devagar, lentamente. Sentia-me livre, pronta para fazer o que quisesse fazer, nada daquilo foi um sonho, foi realmente real.
Quinze minutos para o Natal. Não conseguia acreditar que passei apenas cinco minutos ao lado do Papai Noel, aquilo pareceu horas.
Acabei caindo, em pé, como um gato quando cai de um lugar muito alto.
Observava agora todas as pessoas da rua lentamente, a divisão do ciclo de proteção estava a minha frente, tinha quinze minutos para escolher, agora, quatorze.
Algumas famílias andavam juntas brincando com os filhos. O garotinho que vi chorando antes de ir á casa dos humanos estranhos agora estava abraçando a mãe, cantava e brincava com um brinquedo novo. Ele me parecia tão feliz. Percebi que aquele era um dos brinquedos que distribuí, alguma criança deve ter dado a ele. Sorrio ao perceber que algo meu fez tão bem a criança que estava ali.
Havia mágica em todos os meus presentes, cada criança que tinha um em mãos sorria bobamente, brincavam uns com os outros, era como ver o vale das fadas alegre novamente, como ver todas as fadas brincando juntas. Eu podia fazer a diferença, podia sim.
Podia ficar ali e mudar tudo isso, mudar o mundo quem sabe. Ajudar as pessoas, criar novos pensamentos, quem sabe criar uma loja de brinquedos, quem sabe Erick possa me ajudar, quem sabe ele possa ter uma vida melhor. Não ser mais uma fada da morte.
Meu Natal tinha sido diferente de todos os outros natais que tive durante minha vida. Havia visto como uma família que tinha tudo estava triste por algo tão bobo que podia ser facilmente recuperado. Um ano de escola, algo tão idiota, ela podia muito bem fazer isso de novo, se ao menos tivesse o apoio da família.
Vi uma família que não tinha nada ser mais unida do que tudo, eles podiam não ter o que comer ou não ter onde dormir, mas, mesmo assim permaneciam juntos, estavam ali, um para o outro acima de qualquer outra coisa.
Senti falta das estrelas, senti falta do ar fresco, senti falta de algo que tenho certeza que posso mudar.
Milhões de pensamentos se passavam em minha mente quando finalmente percebi o horário, cinco minutos para o Natal. Era entrar em meu mundo ou perder as asas.
- Já sabe o que fazer? – Erick apareceu do outro lado da divisão do ciclo, não em meu mundo, apenas do lado oposto.
- Não. – respondi sem muito entusiasmo.
Quatro minutos.
- Precisa voltar se não quer perder suas asas.
- Sente falta delas? – perguntei.
- Estaria mentindo se dissesse que não – ele tentou sorrir.
Passamos dois minutos em silêncio enquanto observava as pessoas que passavam por mim. Estavam tão preocupados com seus próprios problemas que nem nos percebiam ali.
- Vou voltar para cá. – sorri e me aproximei dele selando nossos lábios, um beijo doce, o meu primeiro. Erick segurou minha cintura e então me soltou deixando que o portal me levasse de volta para a casa – Eu prometo. – completei a frase.
Em alguns segundos estava em casa com o gorro de Natal em minhas mãos. Podia ver a imagem de Erick se desfazendo devagar até que a divisão do ciclo fosse fechada. Estava sozinha novamente. Mesmo ao lado de minha família que me observava orgulhosa, me sentia sozinha.
Não sabia quando poderia voltar lá, simplesmente não sabia, mas, tinha uma certeza, eu voltaria, não importava os custos. Precisava voltar.
...
Os dias passaram muito rápido, faltavam quinze minutos para o ano novo. Quinze minutos. Porque são sempre os malditos quinze minutos?
A divisão do ciclo seria fechada a meia noite e voltaria a ser aberta apenas no ano seguinte nesta mesma data. Imaginava como as crianças que ajudei estavam, como Erick estava.
Pensei no apito que dei a eles, ninguém me chamou, não aconteceu nada errado com eles. Estava tudo bem.
Continuei sentada na janela da cabana, era o melhor lugar para estar durante o inverno.
Ajeitei minha touca bege na cabeça, puxei meu vestido branco de coraçãozinhos pretos até a base de meus joelhos, contornei os desenhos de minha meia calça e ri de minhas botas de neve. Segurei meu livro com força contra o corpo.
Lia pela milésima vez um conto vindo da fada mãe. O conto dizia que o amor venceria tudo, não importa as diferenças, muito menos o tempo em que os dois corpos estiveram juntos. Grande mentira.
Se Erick aparasse ali como meu namorado eu seria tachada como monstro da família. Ri de meu pensamento, ele nunca seria meu namorado, mesmo que quisesse.
Pensei nas crianças enquanto desenhava com a ponta dos dedos no vidro embaçado alguns corações. Como elas deveriam estar? Será que o apito não funcionou? Será que estavam se alimentando direito?
Mal de fada, se importar demais com coisas que realmente não são tão grandiosas. Fadas tem o costume de amar demais e cuidar demais, e, infelizmente, não receber muito em troca.
Meu irmãozinho cresceu rápido, em vida de fada ele está indo muito bem. Ontem disse suas primeiras palavras, o nome de uma flor, pelo menos é o que minha mãe diz embora copo de leite possa significar... Hm... Copo de leite?
Sinto falta do Natal. Ele foi á tão poucos dias, mas, foi o único dia em que me senti realmente viva. Fadas fazem coisas pelos outros, até pelos humanos, mas, o Natal é algo diferente, um momento mágico. Aquele momento onde tudo pode se torna real.
Queria estar lá em New York, com as crianças. Até mesmo o rabugento do garoto ladrão de batatas fritas.
Dez minutos.
Meu irmãozinho chegou correndo.
- Porque está triste? – perguntou confuso enquanto apoiava os braços em meus joelhos.
- Queria estar em New York agora. Não que não queira estar contigo... Apenas. Argh. Não sei.
- Porque não vai até lá? – para ele isso tudo era tão simples. Sorri.
- Não é tão simples.
- Claro que é! Vá até lá.
- O portal fecha hoje e só abre novamente nessa mesma data do ano que vem, não posso te deixar aqui sozinho, muito menos agora.
Mamãe entrou logo em seguida. Nove minutos.
A divisão do clico se fecharia e ficaria dentro do mundo das fadas até o próximo ano, se é que iria poder sair no próximo Natal e ano novo.
Oito minutos.
Meu coração doía.
Amava minha família, os amava mais do que tudo. Talvez por extinto de fada, ou quem sabe apenas por amor e nada mais. Porém, precisava ter minhas ideias e segui-las até o fim.
Sai devagar ao lado de meu irmão ainda segurando o livro com a mão direita, as fadas preparavam os fogos de artifício e todo o aparatado para um grande ano novo.
Sete minutos.
O tempo passava mais rápido do que esperava, queria tanto parar o tempo agora. Pensei na boneca que ganhei de Natal.
Ela estava sobre minha cama com as asas abertas durante todo esse tempo. Voltei para dentro de casa com apenas um pensamento em mente: a boneca.
Ao entrar em meu quarto vi a boneca sem asas. Aquele sem dúvida era um sinal. Precisava fazer a minha escolha agora.
Peguei a boneca e corri o mais rápida que pude até onde os fogos seriam finalmente exibidos no céu escuro na noite de ano novo. Ficaria ali até o próximo ano e ao fim da escola de fadas iria por minha escolha em prática.
Essa é a minha vida e não importa o que aconteça ou o que precise fazer, vou realizar meus sonhos, e mais, realizar os sonhos de todas essas crianças durante a noite de Natal.
Esperei até os últimos segundos até que a contagem regressiva começasse. Dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um. Feliz ano novo.
Mamãe abraçou meu irmão e meu pai, que fizeram o mesmo, porém, apenas meu irmão me abraçou.
O Natal sempre chega, um novo ano sempre irá chegar e os presentes viram também e é lá que eu estarei. Sendo a guardiã de todas as crianças.
- Feliz ano novo. – ouvi mamãe dizer e então finalmente me abraçar.
Apenas sorri. Achei que ela me ignoraria assim como em outras vezes que desobedeci suas regras, mas, não. Ela continuava ali, ao meu lado.
Agora sim, sabia que tivera feito a escolha certa e também sabia que minha mãe tinha consciência disso. Não ficaria no mundo das fadas para sempre, iria para New York trabalhar com as outras fadas mesmo que essa seja a última coisa que farei na vida.
Minha jornada estava apenas começando. O Natal me trouxe esperança e essa esperança trouxe mais esperança para todas as crianças do mundo. Sorri abraçando minha mãe. Ela teria orgulho de mim, assim como eu tenho dela.

***
O capítulo ficou pequeno, porém, acho que ficou bom. Espero que vocês tenham gostado. Até o próximo post.
xx
Stephy.

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