sábado, 1 de dezembro de 2012

Uma fada metida a Papai Noel #Parte1

Primeiro, me desculpem pelo atraso. O blogger foi programado para postar o post ontem, porém, por algum motivo isso não aconteceu. Desculpas dadas, espero que entendam... Aqui está a primeira parte do conto de Natal. Enjoy.

Para ler a introdução do conto clique aqui.

Segue a lista de quando as partes seguintes serão postadas:

Introdução: 21/NOVEMBRO
Parte 1: 29/NOVEMBRO  
Próximo post do conto:
Parte 2: 06/DEZEMBRO
Parte 3: Final: 23/DEZEMBRO
(As datas podem ser mudadas. Para antes, ou depois das que já estão aqui.)

UMA FADA METIDA A PAPAI NOEL #PARTE1

Já fazia uma hora que procurava as crianças certas para serem presenteadas, achei um grupo de crianças sentadas sozinhas em meio á neve, estavam em frente a um restaurante 24h. Usavam roupas sujas e toda a vez que alguém passava pediam algo para comer. Duvidei delas, ignorei e fui a uma loja de presentes, várias crianças saiam de lá emburradas, não entendia o porquê, estavam com presentes em mãos, porque não estavam felizes?
Obvio, elas não ganharam seus pedidos de Natal.
Fui até uma delas assim que seus pais foram comprar algum tipo de doce que não conhecia, a criança usava uma touca preta e tinha a cara emburrada, os braços em frente ao corpo como se estivessem prontas para dar um chilique.
- Porque está triste? – perguntei.
- Porque não ganhei o que queria de Natal. – disse a criança.
- E o que você queria ganhar de Natal? – questionei confusa.
- Um trem de controle, um carro azul, um capacete de bombeiro e também um boneco de ação do meu desenho favorito. – retrucou emburrado.
- E você não ganhou nenhum desses? – estava começando a ficar triste pelo garotinho.
- Ganhei todos. Mas, quando pedi uma revista em quadrinhos meus pais disseram não.
Meu cérebro parou por um instante, ele havia ganhado todos os presentes que queria, quando pediu outro e recebeu um não como reposta ficou triste. Triste não, emburrado, chato, brigando com os pais.
Meu queixo caiu e sai de perto do garotinho trombando em alguém.
- Você de novo? Gosta de tropeçar não é? – o garoto que vi á algumas horas estava agora ao meu lado, o garoto dos olhos azuis.
- Estou em missão, não posso falar com ninguém.
- Tudo bem fada. Vá cumprir sua missão. – disse ele fazendo meu queixo cair.
- Me chamou de que? – estava desesperada.
- Fada, é isso que você é. Aliás, sou Erick, uma fada terrena. – gelei. Ele estendeu a mão e não a apertei.
- Mia. Fada normal, pelo menos eu acho. – ele riu e puxou minha mão direita, a puxei de volta com medo do que poderia acontecer.
Segui sem dizer nada a ele e fui até uma das crianças que permaneciam sentadas na porta do restaurante. Precisa perguntar.
- Porque está triste? – me sentei ao lado de uma garotinha, ela não usava touca nem luvas. Parecia estar com frio.
- Não tenho o que comer no Natal. – ela dizia triste.
- Quer vir comigo ao restaurante? – seus olhos brilharam – Venha!
Levantei-me esticando a mão.
- E meus irmãos... Podem? – ela continuou sentada.
- Se eles não puderam, você vem do mesmo jeito? – observei as outras três crianças sentadas ali, se ela dissesse que sim não iria levá-la ao restaurante.
- Não. Se eles não comem, também não como. – a garotinha parecia triste.
- Ei crianças, vamos fazer uma bela ceia de Natal! – eles levantaram devagar sem acreditar muito, os levei até o restaurante.
Cada uma das crianças comia como se não visse comida á muito tempo. Haviam panquecas, frango, café, suco, leite, arroz temperado, tudo junto, eles comiam enquanto riam e se divertiam uns com os outros.
Observei a criança com quem falei mais cedo, a da loja de brinquedos.
Ela estava no restaurante, sentada com seus pais. Esperneava sobre querer comer mais batatas e os pais não deixarem.
O garoto roubava as batatas do irmãozinho mais novo vez ou outra, voltei meus olhos até as crianças que estavam comigo a mesa, eles dividiam a comida como nós fadas fazíamos entre família, eles eram uma família.
O garoto da outra mesa continuava fazendo bagunça, chutava a cadeira do irmão, derrubava as coisas da mesa, enquanto a família que me acompanhava era só alegria.
- Moça, porque está fazendo isso? – a mais velha, uma garota de olhos escuros e cabelos encaracolados perguntou.
- Sou quase como uma fada madrinha. – sorri.
- Obrigada. – a baixinha com a mesma aparência disse.
Apenas sorri em troca a vendo comer mais um pedaço das panquecas.
Porque o garotinho da mesa ao lado não podia ser feliz? Ele tinha tanta coisas, mais ainda do que aquelas crianças que estavam comigo, ele tinha ganhado tudo que queria de Natal e estava tendo um ótimo jantar. Havia comido uma boa parte da comida sozinho e ainda assim reclamava estar com fome.
Se ele fosse um troll das montanhas comeria menos.
As horas se passaram e dei um brinquedo a cada criança com uma mágica simples que fiz escondida, todos saíram felizes e a mais nova me surpreendeu. Abraçou-me dizendo que era a melhor fada madrinha do mundo.
Não pude evitar sorrir.
As crianças seguiram para algum lugar, me prometeram que ficariam bem. Dei-lhes um apito de fada para que pudessem me chamar caso precisassem de algo.
O garotinho continuava irritado e destruindo tudo que via pela frente, inclusive um de seus brinquedos.
Agora faltavam apenas duas horas para a meia noite, fiz mais alguns presentes e os coloquei em uma sacola mágica. Pelo caminho ia entregando para as crianças de New York, assim como as fadas madrinhas do meu mundo faziam para as crianças fadas que estavam por lá no Natal.
As crianças sorriam, brincavam e sorriam um pouco mais.
Agora faltava apenas uma hora e meia para o Natal, o garotinho da loja foi visto novamente, ele chorava nos braços da mãe sem motivo algum.
Continuava sem entender aquilo tudo.
- Algumas pessoas tem tudo e não prestam atenção nisso. Ele não dá valor ao que tem, logo irá perder isso. – ouvi a voz de Erick e logo me conformei de que ele realmente estava me seguindo.
- Como sabe disso?
- Sou o terreno da morte. Sei quando algo vai acontecer.
- Uma fada terrena da morte? Essas coisas não existem. – retruquei.
- Venha comigo. – ele puxou meu braço fazendo com que a sacola de Papai Noel que carregava sumisse.
Minhas asas se abriram quase que sozinhas e ele levantou vôo sozinho, sem a ajuda de asas. Passávamos por algumas casas até que ele parou em uma delas, era grande, bonita, caberia pelo menos umas cinco famílias de sete pessoas cada.
De alguma forma entramos na casa, estava de pé observando. Havia uma grande mesa com várias pessoas sorridentes comendo sua ceia, uma garota que aparentava ter seus dezesseis anos estava triste, parecia preocupada.
Pediu a palavra na mesa e gaguejou algumas vezes antes de dizer que havia reprovado de ano. Todos fizeram cara de decepção, ninguém disse algo bom a ela.
Todos disseram coisas horríveis e disseram que ela era a destruição da família, disseram que ela acabou com o Natal deles.
Coisas tão ruins que mal podia ouvir sem ter vontade de socar os familiares daquela garota.
- Ela tem um futuro brilhante, será a melhor entre as melhores. O problema é que ela escolheu esse caminho por que não queria decepcioná-los, seu sonho sempre foi ser uma professora de educação física, bobo, ela sabe disso, mas, seus pais não aceitam tal coisa.
- Porque os humanos são tão maus?
- É da natureza deles julgar o que não conhecem, o que não é do jeito deles. É assim que morrem e matam uns aos outros, a natureza, a vida que existe entre eles e o mundo irreal.
- Gostaria de mudar isso.
- Você pode Mia. Pode sim. Escolha New York no fim de seus estudos, venha para cá, faça a diferença, ainda existem pessoas que merecem ser salvas dessa escuridão.
- Porque diz isso? Você faz parte dessa escuridão. É ainda maior nisso do que eles.
- Posso ser a morte em todos os lugares pequena, mas, mesmo assim tenho mais luz do que esses humanos que menosprezam a própria família.
- Achei que Natal significasse alegria, união, amor, paz...
- Ainda a esperança.
Erick segurou em minha mão me guiando até outro ponto, o topo da casa dos ricos.
- O que fazemos aqui? – questionei.
- Com essa luz toda nem podemos ver as estrelas. Não há nada a se ver aqui, apenas as trevas entre luzes brilhantes.
- Gostaria de ver as estrelas.
- Mesmo? – Erick sorriu de lado.
- Mesmo. – concordei.
Segurou minha mão e me levou para longe, batia minhas asas freneticamente, alguns poucos brilhos marcavam o céu, fazia tempo que não as usava. Sentia falta disso, vi meu gorro de Natal quase cair, Erick o segurou colocando em sua própria cabeça, ri em meio ao ar. Ele não me parecia uma fada da morte.
Puxou-me até uma árvore, nos sentamos sobre suas folhas, por sermos fadas provavelmente não cairíamos, pelo menos eu não.
- Daqui podemos ver as estrelas.
- Aqui é tão diferente.
Estávamos longe da cidade, nem sabia da onde exatamente aquelas árvores saíram, só sabia que dava para ver as estrelas.
O céu limpo e calmo, completamente azul.
O telefone das fadas tocou.
- Onde está filha? Chegamos aqui e você nem apareceu. – a imagem de meus pais apareceu na tela assim que abri o objeto.
- Desculpe. Resolvi vir a New York presentear as crianças. – disse a verdade.
- O que pensa que está fazendo? Volte para a casa, sabe o que aconteça se não voltar até a meia noite.
- Eu perco minhas asas. – foi só o que disse.
- Assim como aqueles terrenos horríveis. Volte para a casa.
- Porque quer que eu volte para a casa? – Erick virou o olhar para mim.
- Para que fique conosco. Para que conheça seu novo par, para que conheça seu novo irmão! – ela dizia e podia ver que estava sorrindo.
Teria um novo par, um irmãozinho, aquilo alegrou meu coração.
- Mamãe. Lembra que conversamos sobre ir para New York? – ela assentiu – É isso que escolhi. Quero ficar aqui junto das fadas assim que terminar meus estudos.
- Não pode. Você precisa cuidar do seu irmão, precisa estar com ele, o ver crescer.
- Mamãe, você me quer ai para ter uma família completa ou para que cuide do meu irmãozinho enquanto você sai em missões que são magicamente prolongadas?
- Você precisa voltar Mia. Volte. O tempo está se esgotando.
Verifiquei meu relógio de pulso, trinta minutos para o Natal.
- O que vai acontecer comigo? – perguntei a Erick segurando o telefone as fadas firme em minhas mãos.
- Se voltar para a terra das fadas... Nunca mais vai voltar a New York. Entenda Mia, sou como uma fada malvada que sempre vai tentar te convencer do pior, sua escolha tem que vir apenas de seu coração.
- Estou voltando mamãe. – foi só o que disse desligando o telefone.
Desci batendo as asas rapidamente enquanto alguns brilhos caiam das mesmas, juntamente com lágrimas. Nunca mais voltaria New York, e se ficasse, perderia minhas lindas asas.
Trombei em algo, um trenó? Aquilo que acabei de trombar era um trenó?
Estava caindo pouco a pouco até sentar em algum lugar, o trenó, era lá que estava.
Olhei para o lado quase tendo um ataque, o bom velinho, o Papai Noel, vestido de vermelho, com barba branca, ele existia afinal?
- Ho ho ho! – estava confirmado, o Papai Noel existe.
- Minha santa fada rosa do vale do glitter! – foi á única coisa que consegui dizer.
- Bem vinda ao quase Natal. Tenho tantas coisas a fazer... Gostaria de receber o seu presente? – ele dizia sorridente enquanto as renas diminuíam a velocidade.
- Meu presente? Não pedi nada de Natal.
- Não precisou. – ele sorriu fazendo novamente seu clássico ho ho ho, devo admitir que isso era estranho e que muitas vezes tinha vontade de rir. Será que estava sonhando?
Ele apontou uma caixinha que estava sobre meus pés, era lilás e tinha um lancinho azul da cor de minha jaqueta. Sorri ainda não acreditando no que estava acontecendo e puxei o laço abrindo a caixa por fim.
Ao ver o conteúdo da caixa eu apenas sorri. Como ele sabia?

***
Vejo vocês dia 06.
xx
Stephy.


3 comentários:

  1. SÓ DIA 6?
    DDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDD:

    sério, eu estou amando. De verdade.

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  2. Amei!! Vou usar esse frase sempre agora: "Minha santa fada rosa do vale do glitter!"

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